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Não existe dieta milagrosa
Por Dr. Antonio Carlos Nascimento
CRM 75.426
Assim como a moda que transforma tendências entre uma e outra estação, as dietas estão indo para o mesmo rumo. As “dietas fashion” nada mais são que criações de agrupamentos inusitados de alimentos que ganham fama principalmente quando uma pessoa pública declara sucesso no emagrecimento com sua utilização.
A verdade é, e sempre será, o que cada um acredita. Não serei eu a martelar impiedosamente alguns modelos alimentares. Justamente eu que entendo que ninguém é rei por obra do acaso. Para não estender e correr o risco de ferir a assertiva anterior, comentarei uma dieta não balanceada que sem dúvida é a mais conhecida e consagrada pelo mundo afora. A chamada ‘Dieta sem Carboidratos’, conhecida também por ‘Dieta do Doutor Atkins’. Este tipo de alimentação propõe o consumo exclusivo de proteínas e gorduras, excluindo os carboidratos em qualquer uma de suas versões.
O velho Atkins não era desprovido de argumentos como alguns escancaram, mas não tomava o cuidado de criar protocolos para o uso comedido, do que talvez até seja um recurso temporário no emagrecimento, em pacientes selecionados. Ainda que eu entenda que a sustentabilidade de uma dieta desse perfil não seja tarefa fácil, o emagrecimento é obtido a partir da dificuldade criada pelas proteínas e gorduras na sua utilização pelo corpo humano.
Os carboidratos são rapidamente absorvidos após a ingestão alimentar; o açúcar livre, por exemplo, é absorvido de imediato. O amido encontrado nos pães e macarrão é absorvido quase na mesma velocidade, enquanto que carboidratos de absorção mais complexa como os das verduras e legumes cozidos podem levar algumas dezenas de minutos até a sua total absorção. Ou seja, uma dieta rica em açúcares é rapidamente absorvida e este açúcar instantaneamente é utilizado ou armazenado na forma de gordura em nossos depósitos, o que faz com que rapidamente surja o sinal da fome. Porém, se os carboidratos são compostos somente por carbonos e hidrogênio, as proteínas e gorduras também possuem estes dois elementos químicos, só que associados a outros elementos.
Portanto, se o organismo for capaz de fabricar carboidrato e souber retirar a matéria prima de proteínas e gorduras, não faltará carboidrato. Todos nós somos capazes disto, porém, isto demanda tempo e gasto calórico. E é justamente este conjunto de situações que é buscado na utilização de tal dieta. Pois, enquanto o organismo se esforça em fabricar carboidrato, ele se apropria primeiramente de suas reservas para obter a energia, sendo aí consumidos os depósitos de gordura. A questão é: se agradar a alguns a visão de bacon, ovos, carnes e linguiças, a estes mesmos surge a ideia de farofa, pães e arroz. E, neste caso, “é largar ou largar”. Aliado aos riscos de desequilíbrios agudos de colesterol, triglicerídeos e acido úrico, o próprio indivíduo passa a dar mostras de insustentabilidade com relação ao modelo alimentar.
Variações menos dramáticas desta dieta foram feitas e expressas sob vários nomes, como a dieta de South Beach. Outras dietas com menor suporte explicativo às vezes beiram ao mítico. Uma delas é a do tipo sanguíneo, que até o presente momento não apresenta sequer um ensaio clínico retirando-a do campo do imaginário. Algumas relacionam dietas a horóscopos e afins.
Concluindo, nenhuma dieta deve suprimir grupos alimentares, sob pena de danos orgânicos e psicológicos. Comamos de tudo, com moderação.
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