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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento
CRM 75.426
Se a medicina providenciasse uma mudança da nomenclatura dos órgãos humanos e coubesse a mim, dar outro nome a tireóide, não hesitaria em denominá-la de terrorista. Isso mesmo: terrorista! Aliás, desde minhas primeiras investigações acadêmicas sobre a tireóide já a chamava por este apelido. Não se assustem, mas devo confessar que o exagero é só aparente, pois ao percorrerem com as vistas o que está escrito nas linhas seguintes deste artigo, perceberão que sou até moderado ao adjetivá-la.
Mas, como a tireóide ainda não sofreu alteração nominal, ao menos formalmente, vamos respeitar o seu nome, o que, entretanto, não nos impede de conhecermos melhor sua reputação.
Localizada no pescoço, a tireóide é um órgão de 12 a 20 gramas. Seu nome deriva do grego: thyreos (escudo) e eidos (forma). De maneira mais simples, com relação à sua forma, podemos compará-la a uma borboleta. Sob a sua custódia está a velocidade do metabolismo basal, que para encontrar-se em um padrão ótimo, necessita de quantidades normais dos hormônios advindos de lá.
Descobertas
No final da década de 1960, em alguns centros médicos do mundo, iniciavam-se a partir de dosagens sanguíneas dos hormônios da tireóide os primeiros diagnósticos de disfunção tireoidiana (anormalidade do funcionamento da terrorista).
Daí pode-se ter uma ideia do limite que nós, médicos, tínhamos a respeito do diagnóstico de doenças relacionadas à disfunção tireoidiana. Haja vista que um alto percentual de desequilibrados mentais, internados como loucos em manicômios, tinham na verdade disfunção da tireóide não diagnosticada e, depois de reposto o hormônio, ou resolvido seu excesso, era o fim da loucura.
A apresentação global da metodologia diagnóstica para disfunção da tireóide foi na década de 1970. Déficit de raciocínio, distúrbio de comportamento, indisposição severa, sonolência ou insônia, ganho ou perda importante de peso, distúrbios menstruais sem causa ginecológica aparente, ou qualquer outro sinal ou sintoma que sugerisse fortemente alguma disfunção tireoidiana, era seguida de solicitação dos exames recém criados para detecção destas alterações. Com suspeitas simples não havia a pesquisa, já que os exames eram muito caros e não disponíveis a todos. Somente forte suspeita justificava a procura. Porém, na década seguinte, solidificou-se a ideia de que se esperássemos o aparecimento de grande suspeição da doença, além de deixarmos de dar uma montanha de diagnósticos, muito de ruim poderia acontecer com o paciente.
Que fique anotado que a disfunção tireoidiana pode ser um aumento na produção de hormônios, o que caracteriza o hipertireoidismo, ou uma diminuição, o que provoca o hipotireoidismo.
Apesar de menos frequente, o hipertireoidismo costuma ser clinicamente mais rico em sintomatologia. Palpitações, sudorese, insônia, emagrecimento, etc. Porém, em pessoas de idade pode se expressar apenas como apatia, muitas vezes sendo equivocadamente diagnosticado apenas como depressão ou prenúncio de doença de Alzheimer.
Em crianças
Quando se tratam de crianças que nascem com hipotireoidismo, a situação é muito mais séria. Se o tratamento não for iniciado em até seis semanas de vida, a deficiência mental é a regra. Daí a importância do teste do pezinho, pois é por meio deste procedimento simples que se diagnostica prematuramente o hipotireoidismo.
Não foi por outra razão que as nossas autoridades políticas se mobilizaram a fim de tornar obrigatório e gratuito por lei a realização do teste do pezinho. No ano de 1984, o Estado de São Paulo foi o primeiro a tomar esta atitude, e a partir de 1990, com o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a obrigatoriedade e gratuidade do teste do pezinho ganhou âmbito nacional. Contudo, ainda assim, no início deste novo século, metade dos nascidos vivos no Brasil não fazia o teste, o que gerava em torno de 1000 crianças com déficit mental/ano. Foi quando o Ministério da Saúde do Brasil, acertadamente, mudou a logística de cobertura para o teste, inclusive, estendendo o número de doenças pesquisadas.
Outros efeitos
As doenças da tireóide não se limitam a déficits funcionais. Seus nódulos são motivos frequentes de investigação médica em razão da possibilidade de malignidade destes, e ainda que mais de 90% destes não sejam malignos a pesquisa deve ir à exaustão.
Tanto disfunções quanto alterações anatômicas, na maioria das vezes, permitem o controle ou cura, sendo que boa parte das complicações podem ser evitadas, ou seja, no mesmo tempo que se pergunta ao médico como estão as coisas com o colesterol, glicemia, ácido úrico, PSA, pressão arterial, andropausa ou menopausa etc., deve-se perguntar também qual a situação da tireóide. É melhor respeitá-la.
Lembre-se que simples nodulação na região anterior do pescoço não perceptível à palpação pode ser câncer e alterações simples dos níveis hormonais tireoidianos podem levar a depressão, irregularidade menstrual, ganho de peso, queda de cabelos, infertilidade, frigidez sexual e impotência.
Para saber mais ou marcar uma consulta, acesse Montenegro Cirurgia Plástica.<–>