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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento
CRM 75.426
As cinco palavras do título deste artigo sugerem que o obeso adquire esta condição por opção ou desleixo. Ledo engano. Se na década de 1960 os cientistas se preocupavam com a possibilidade da fome mundial, hoje o que vemos é um mundo que engorda vertiginosamente. O que contraria o íntimo na maioria destes obesos, que são atormentados o tempo inteiro pelo cônjuge, patrão, amigos ou filhos, quanto ao seu peso. De forma inversa, quando decide emagrecer, tem que conviver como velho chavão: “Fecha a boca, faça exercícios e emagreça”. Simples? Não. A logística do emagrecimento percorre outras veredas, ainda que um jovem, com a simples retirada de refrigerantes, doces e sanduíches de sua dieta, possa diminuir o seu peso de maneira importante.
O sistema metabólico sempre está pronto a atingir maior peso do que aquele organismo alcançou. Ou seja, se chegamos aos 100 quilos, estaremos sempre com o tendencioso destino de 100 quilos, ainda que se emagreça para os 60 quilos. Não existe caminho completamente seguro na sustentação do peso.
Não existe, portanto, nenhum dado científico que justifique a comum afirmação de que quando se perde dez quilos, se deve permanecer dez meses com o novo peso para que não volte a engordar. Quanto à ótica do tratamento farmacológico, temos várias medicações com resultados extremamente interessantes. E já possuímos medicações que dão sustentabilidade à perda de peso de maneira judiciosa.
As velhas e conhecidas anfetaminas, quando bem indicadas, trazem excepcionais resultados terapêuticos. Fornecem melhoras na qualidade da vida por diminuição dos níveis pressóricos e de glicemia. Melhoram a fertilidade, a sexualidade, por reincorporar o individuo no convívio social.
O arsenal terapêutico existe para ser usado para fazer dormir quem não dorme, tirar a dor de quem sente, baixar pressão nos hipertensos, controlar glicemia dos diabéticos e também, por que não, diminuir peso dos obesos?
São doenças, merecem tratamento responsável, pois a medicina é uma só e a maioria das pessoas não é gorda porque quer.
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