Só é gordo quem quer?

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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As cinco palavras do título deste artigo sugerem que o obeso adquire esta condição por opção ou desleixo. Ledo engano. Se na década de 1960 os cientistas se preocupavam com a possibilidade da fome mundial, hoje o que vemos é um mundo que engorda vertiginosamente. O que contraria o íntimo na maioria destes obesos, que são atormentados o tempo inteiro pelo cônjuge, patrão, amigos ou filhos, quanto ao seu peso. De forma inversa, quando decide emagrecer, tem que conviver como velho chavão: “Fecha a boca, faça exercícios e emagreça”. Simples? Não. A logística do emagrecimento percorre outras veredas, ainda que um jovem, com a simples retirada de refrigerantes, doces e sanduíches de sua dieta, possa diminuir o seu peso de maneira importante.

O sistema metabólico sempre está pronto a atingir maior peso do que aquele organismo alcançou. Ou seja, se chegamos aos 100 quilos, estaremos sempre com o tendencioso destino de 100 quilos, ainda que se emagreça para os 60 quilos. Não existe caminho completamente seguro na sustentação do peso.

Não existe, portanto, nenhum dado científico que justifique a comum afirmação de que quando se perde dez quilos, se deve permanecer dez meses com o novo peso para que não volte a engordar. Quanto à ótica do tratamento farmacológico, temos várias medicações com resultados extremamente interessantes. E já possuímos medicações que dão sustentabilidade à perda de peso de maneira judiciosa.

As velhas e conhecidas anfetaminas, quando bem indicadas, trazem excepcionais resultados terapêuticos. Fornecem melhoras na qualidade da vida por diminuição dos níveis pressóricos e de glicemia. Melhoram a fertilidade, a sexualidade, por reincorporar o individuo no convívio social.

O arsenal terapêutico existe para ser usado para fazer dormir quem não dorme, tirar a dor de quem sente, baixar pressão nos hipertensos, controlar glicemia dos diabéticos e também, por que não, diminuir peso dos obesos?

São doenças, merecem tratamento responsável, pois a medicina é uma só e a maioria das pessoas não é gorda porque quer.

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Só os radicais não são livres

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

CRM 75.426

 

Sob a ótica do ortodoxo, muitos costumes e dogmas se eternizam. Bons e ruins. Porém, a questão aqui é a ciência. Muito atraso foi imposto pela não aceitação do novo. Enquanto Louis Pasteur desmantelava a teoria de Geração Espontânea, imputando aos microorganismos processos infecciosos putrefativos e fermentativos, cirurgiões continuaram por anos a sair das salas de anatomia nas quais estudavam cadáveres diretamente para os centros cirúrgicos, a fim de operar doentes sem os mínimos cuidados com assepsia.

 

O código genético

 

Pois bem. O novo sempre assusta e ameaça. O mesmo pode se dizer do que chamamos de Medicina Antienvelhecimento. É claro que não se pode deixar de lado o grande sensacionalismo criado por deduções individuais e fantasiosas dos que ainda conseguem iludir aqueles que procuram melhoras em sua qualidade de vida com promessas milagrosas. Mas sabemos, por meio de estudos, que o ponto final da célula é a lesão irreversível de suas membranas. Apesar de o código genético dar maior ou menor resistência a ela, os chamados radicais livres são os que, em última instância, provocam a lesão de tais membranas, diminuindo gradativamente a função celular até a incapacidade funcional e morte. Os radicais livres são oriundos do metabolismo oxidativo, nos quais o imprescindível oxigênio se transforma. Eles são capazes de se ligar à membrana celular e nesta provocar lesões. Quanto mais radicais livres são produzidos, ou quanto menor for a capacidade de eliminá-los, mais se envelhece. Esses radicais livres podem fazer parte do processo de iniciação de tumores.

É sabido que as vitaminas E e C são potentes antioxidantes, assim como os polifenóis (aqueles encontrados em abundancia no vinho). O Ômega 3 (peixes são principais fontes) o licopeno (carotenóide encontrado especialmente em tomate) são poderosos antioxidantes com poder antitumoral definido. Contra fatos não existem argumentos. Recentemente, Antonia Trichopoulou, docente da University of Athens Medical School, demonstrou haver um risco 25% menor de morte por doença cardiovascular ou câncer nos indivíduos que consomem essencialmente a dieta do Mediterrâneo, a qual o vinho, o peixe e o azeite de oliva formam o tripé de sustentação.

 

Andropausa intensa

 

Não quero, com este artigo, provocar a corrida dos leitores à farmácia para adquirir vitaminas E, C, Ômega 3, licopeno, etc. Nem defendo que modifiquem radicalmente o padrão dietético. Tudo deve ser monitorado, revisto e minuciosamente adequado. Lembro-me de um paciente, hoje com 66 anos, que, recém-chegado a nossa clínica, queixava-se de insônia e diminuição da libido. Incisivamente, solicitava pesquisa para andropausa e deficiência de hormônio de crescimento. Acertou nas deficiências. As duas, porém, provocadas por um hipotireoidismo severo e não consequências da andropausa. O tratamento devolveu ao paciente a completa estabilidade clínica. Curiosamente, ao mesmo tempo, um outro paciente com queixas de adinamia, impotência e depressão, nos procurou elegendo hipotireoidismo. Contudo, o diagnostico firmado foi de andropausa intensa com os testículos bastante diminuídos ao ultrassom, sem história anterior de doença infecciosa testicular. O paciente é tratado com reposição hormonal masculina com total regressão de todos os sintomas. Não preciso dizer que esses dois pacientes e tantos outros são seguidos em nossa clínica quanto à endocrinologia do envelhecimento e todos os prismas que observam o Antienvelhecimento. Consertando o trocadilho: só os radicais não se livram dos radicais livres.

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O sexo e as idades

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Nossos corpos juvenis distraidamente alvoroçavam-se em texturas novas de observações quanto ao mundo que nos rodeava. O cheiro do sexo oposto nos instigava, as possibilidades inebriadas pelo desejo do desconhecido nos induziam a buscas frenéticas por fotos e revistas. Impossível acordar ou dormir sem o príncipe ou princesa, que possuía toda a ebulição necessária àquele furor que questionava nossos antigos relacionamentos infantis. Que difícil processo. Para alguns mais, outros menos. É quase isso o resumo da explosão hormonal lá pelo início da adolescência.

O tempo passará e, de maneira sutil, a fome, ainda que mantida, nos permitirá mais critérios e agregaremos outros itens ao nosso desejo. Ou seja, seremos instintivos ainda, porém mais calculistas e admitiremos os limites da conquista. Vida nova. Questões relacionadas a cuidados com dieta, sono, cigarro, drogas, enfim, à saúde, são por vezes deixadas de lado. Mas, quando se entra no campo do desempenho sexual, aí sim, os pudores, recalques, insegurança, mentiras, preocupações, segredos, traições, entre outros, aparecem. Uma mistura que pode resultar qualquer coisa, inclusive o improvável, porém possível, casamento eterno, ou poligâmico, solteirões, homossexuais… Isso tudo é sexo, ou melhor, isso tudo é o poder do sexo.

Um dia nos damos conta que temos menos desejo ou capacidade para o sexo. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. Deduzimos, então, que a idade nos pegou. Já temos quase 50, com filhos, contas a pagar e provável horário para algum remédio. Os caminhos para alcançarmos a senilidade com dignidade e sem termos que entregar o que instintivamente nos movia com graça através de noites e viagens inesquecíveis, são organicamente possíveis. Não é fantasia. Sexo não é tudo, mas não à toa criou e destruiu impérios. A vida é pra valer, não deixemos nada sem cuidado.<–>

Uso de anfetaminas na obesidade

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Quando sou solicitado a expressar minha opinião quanto ao tratamento de obesidade, abordo inicialmente a necessidade da mudança de perfil sedentário, acoplada a uma reorganização dietética. Porém, quando a questão básica é o tratamento farmacológico, nunca me esquivo.

Trato a obesidade assim como uma hipertensão arterial sistêmica, ainda que inicialmente oriente a diminuição do sal na dieta e à prática de atividade física moderada. Nunca deixaria de tratar farmacologicamente a insônia, quando todas as outras alternativas se apresentam esgotadas e não deixo de tratar o paciente diabético se a mudança de hábitos alimentares e de vida não forem suficientes para o controle glicêmico.

Parece-me óbvio, portanto, que tratar o obeso com medicações não seja obra do demônio. Porém, não é incomum, receber pacientes que se submetem ao tratamento às escondidas do marido, que é “completamente contra a medicação”, como me dizem algumas. Pior momento é quando o paciente nos procura a fim de perder peso e melhorar a pressão arterial, mas já é avisada pelo cardiologista: “nada de ‘bolas’, hein”. Traduzindo, “bolas” são o que alguns colegas médicos entendem por medicações antiobesidade. Em outras oportunidades, o paciente já ouviu que, quando parar de tomar as medicações, voltará a engordar tudo de novo.

Bem, vamos por partes. Se engordarmos tudo de novo, é sinal de que a medicação é necessária e, assim, como o hipertenso quando é retirada a medicação, os níveis pressóricos se elevam novamente. Fica sugerido que, para alguns pacientes obesos, seja necessário o uso contínuo de medicações.

Por outro lado, a “bola”, criada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, ou anfetamina, já saiu do mercado há vários anos. O que se utiliza atualmente é o anel fenetilamina, que não apresenta a maioria dos efeitos indesejáveis da anfetamina, o que torna ainda mais incorreta a utilização do termo de anfetamina para estes fármacos.

A abstinência apresentada para alguns pacientes, quando ocorre a suspensão de tratamento farmacológico para obesidade, frequentemente é vista quando existe associação de benzodiazepínicos, podendo causar mal-estar, sudorese, insônia e outros sintomas.

A depressão pode ocorrer em pacientes propensos a ela, que habitualmente apresentam história anterior ou familiar. Porém, até mesmo um evento emocional importante, poderia fazer expressar a doença.

Não podemos nos esquecer de que qualquer versão de tratamento farmacológico pode ter efeitos. É responsabilidade do médico assistente monitorar, ajustar e, se necessário, retirar a medicação.

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O que é Endócrino-Age?

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Nossas tendências comportamentais durante toda existência podem ser divididas ou observadas sob vários prismas, o que nos dá indícios da intensidade de aproveitamento da vida. O início, sustentação e decréscimo dos principais hormônios de nosso organismo mantêm uma relação tão fiel com nosso comportamento e dinamismo, que não é presunçoso admitir que o melhor observatório médico para acompanhar a evolução de nossas atitudes por meio das várias faixas etárias seja a Endocrinologia.

Ações geram reações e, sob esta observação, podemos dizer que seremos sempre resultado de nosso comportamento. Mas, se este é gerido por estâncias superiores, a boa monitoração de tais sítios gerenciais pode mesmo nos fazer viver melhor e quem sabe possa até fazer com que vivamos mais.

Na infância dependemos de hormônios para o “crescimento” e “iniciação” intelectual. Entre outros, dependemos do Hormônio do Crescimento e Hormônio Tireoidiano, sem os quais, dependendo da idade e da magnitude de suas faltas, podem resultar em Nanismo e/ou déficit intelectual. Se os hormônios da tireóide não têm data marcada para diminuir ou desaparecer do organismo, o Hormônio do Crescimento, após estabelecer um período de estabilização na vida adulta, apresenta um decréscimo em sua produção que varia de indivíduo para indivíduo, processo esse nominado como Somatopausa.

A explosão na produção de testosterona e estrógenos, na adolescência, nos faz perder, em parte, nossos filhos. Os perdemos para o sexo ou, mais exatamente, para tudo que os hormônios sexuais modificam em seus cérebros. E, neste caso, nos resta torcer para que a vida não lhes seja muito dura, enquanto perdemos as noites à espreita de suas chegadas.

Dentro de nós, além da agonia da espera, temos menos ou quase nada dos hormônios que escandalizam nossos filhos. Estamos na Menopausa ou Andropausa e muito pode restar destas situações, até mesmo que não estejamos mais com quem escolhemos para esperar nossos filhos à noite.

As glândulas adrenais produzem vários hormônios. Entre eles a Dehidro-Epi-Androsterona (DHEA) ganhou notoriedade quando se verificou que a flutuação de seus níveis era traduzida por variações na disposição e vivacidade comportamental. Alguns grupos no mundo estudam as flutuações da DHEA, sugerindo que seu monitoramento seja uma chave pro bem-viver. A queda em seus níveis caracterizaria a Adrenopausa.

Outro hormônio que vem ganhando observação nos últimos anos é a melatonina, produzida pela glândula pineal. Até bem pouco tempo era relacionado apenas com o ciclo claro-escuro, porém muito se admite de ação para a melatonina, incluindo como grande atividade do hormônio, a depuração de radicais livres de nosso organismo. O processo de diminuição dos níveis deste hormônio é denominado Melanopausa.

Endócrino-Age é a observância de todos estes itens à luz da realidade médica em que vivemos, associada às resultantes do processo de envelhecimento.

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Menopausa: efeitos e soluções

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Por definição, menopausa é a última menstruação da mulher, e climatério é todo o processo entre o início da diminuição da produção hormonal ovariana e a total cessação da produção dos hormônios femininos. O climatério pode ser dividido entre o período pré-menopausa e o período pós-menopausa porque, mesmo após o fim das menstruações, por algum tempo existe ainda alguma produção hormonal nos ovários. A idade de início do climatério é ao redor dos 40 anos, enquanto que a menopausa apresenta-se após os 50.

A sintomatologia mais expressa pela falta dos hormônios femininos ocorre no período próximo à menopausa, já que nesse momento se encontra o auge da falência ovariana. Porém, é bastante variável a apresentação clínica, sendo que as queixas mais frequentes incluem fogachos, diminuição da libido associada à secura vaginal e quadros de depressão de magnitudes variáveis. Estas queixas associadas a maior frequência de osteoporose e a maior ocorrência de doenças vasculares decorrentes da modificação do status hormonal, fizeram com que a medicina evoluísse. A reposição artificial dos hormônios sexuais veio para resolver de maneira muito satisfatória a maior parte dos sintomas.

Porém, o uso indiscriminado de tal tratamento não se mostrou a melhor decisão segundo estudos recentes. Apresentou-se aumento de outros riscos. Grupos de mulheres que não fizeram a reposição não apresentaram, por exemplo, o câncer de mama. Por outro lado, a reposição naqueles pacientes com queixas importantes, que não apresentem ascendência positiva para câncer de mama (mãe, avó, tias), deve ser, apesar dos riscos, o melhor caminho para melhora a qualidade de vida nesta fase da vida.

Uma outra abordagem, cada vez mais usada nesta fase da vida da mulher, é a reposição com hormônios idênticos àqueles produzidos pelo organismo feminino. Já que os trabalhos científicos foram todos a partir do uso de hormônios sexuais sintéticos, que não apresentam a exata estrutura química dos hormônios produzidos pelos ovários. Na realidade, a produção desses hormônios sintéticos foi estratégia da indústria farmacêutica no processo de patenteamento, já que uma substância naturalmente sintetizada em um ser vivo não pode ser posse de nenhuma indústria.

O processo do climatério ocorre lentamente, e os quatro subtipos de hormônios sexuais femininos apresentam padrão particular quanto as suas quedas. Médicos que as pontuam, obtém os melhores resultados para o tratamento desta situação clínica.

A cada dia percebemos que o climatério e a menopausa se apresentam de forma diferente de mulher para mulher. Assim, a individualização dos casos é o melhor caminho.

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Temperatura ambiente e a longevidade

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No verão europeu de anos atrás, entre 2003 e 2004, foi demonstrado o poder das oscilações na temperatura, haja vista o número de mortes verificado, em especial na França. A solicitação do sistema cardiovascular nesta situação, com temperaturas acima de 40ºC, é intensa e funciona como um teste ergométrico, com a diferença que, no teste, o médico suspende o esforço a qualquer verificação eletrocardiográfica que sugira sofrimento miocárdico. Adicionado a esta questão, está o fato de que o europeu não está habituado a tal elevação da temperatura. No Brasil tal elevação térmica não traz os transtornos verificados no Velho Mundo.

Abandonando, pelo menos por enquanto, as consequências das oscilações térmicas externas, é necessário dizer que nas regiões mais frias os riscos para doenças cardiovasculares são maiores. Entre as temperaturas de 14º e 21ºC, a mortalidade diminui em cerca de 1% por grau de elevação na temperatura. Há também uma incidência maior da depressão em localidades de baixa temperatura, o que propicia ainda mais o aumento de casos de infarto do miocárdio. E, pior que isso, a área do miocárdio lesada é maior. A constrição das coronárias provocadas pelo frio justifica a maior incidência de anginas e infartos.

Porém, parece que além desses fatos, existe um subsídio infeccioso e inflamatório por baixas temperaturas, já que é sabido que as infecções respiratórias, especialmente aquelas causadas pelo vírus influenzae, são mais frequentes nestas temperaturas. O resultante processo inflamatório difuso no organismo jogaria fora a oclusão vascular, possivelmente lesando o assoalho que recobre o leito arteriosclerótico, expondo estruturas indutoras de formação do trombo e posterior oclusão intravascular e infarto subsequente.

Colaborando com tal indagação, um estudo americano verificou que pacientes vacinados contra o influenzae tiveram o risco de evoluir com o infarto do miocárdio diminuído para um terço do risco daqueles não vacinados.

Outras justificativas surgirão com o tempo, porém parece lógico auxiliarmos o nosso organismo procurando nos manter em temperaturas agradáveis. E quando há processos infecciosos, usufruirmos dos avanços tecnológicos que a medicina conquistou. Com isso, é provável que estejamos retardando o envelhecimento e prolongando a vida.

Em qualquer temperatura, a exposição ao sol é imprescindível, pois os raios ultravioletas conquistados nesta exposição aumentam a capacidade dos glóbulos brancos no exercício de suas funções. Além dos benefícios na formação de vitamina D, tão importantes no metabolismo ósseo.

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Estresse e obesidade

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“Eu não como tanto para estar tão gorda!” Até que ponto a afirmação é verdade?

Várias doenças podem contribuir para que ocorra obesidade. Entre elas estão as disfunção de tireóide, hipófise, ovários, testículos, suprarrenal e pâncreas. Todas elas levam a transtornos hormonais que podem em última instância culminar com obesidade, assumindo características de gravidades variáveis, cada qual por seu caminho.

Porém, assumindo a possibilidade de que nenhuma das desordens referidas anteriormente esteja presente, o que faz um indivíduo, mesmo não exagerando na ingestão alimentar, manter um peso excessivo?

Cortisol, esta é a palavra chave.

Formado por duas glândulas localizadas nos polos superiores dos rins, chamadas de suprarrenais, o cortisol é produzido diariamente e fisiologicamente, tendo enorme importância no equilíbrio de várias funções orgânicas no dia a dia. Ele incentiva a produção de glicose no fígado a partir do metabolismo das proteínas, estimulando ainda o armazenamento de glicose na forma de glicogênio. Possui também grande potencial antiinflamatório e imunossupressor. A cortisona que utilizamos contra asma, sinusite, doenças reumáticas e tantos outros males, nada mais é que o famoso cortisol em sua versão farmacológica.

Ele também é produzido em qualquer situação de estresse ao qual determinado organismo é submetido: mecânico, infeccioso ou emocional. Ou seja, se somos submetidos a uma cirurgia, contraímos um processo infeccioso, ou estamos diante de um grande trauma emocional, rios de cortisol são liberados pelas suprarrenais para a corrente sanguínea, visando conter o processo inflamatório e modular a resposta imunológica, entre outras ações. O procedimento cirúrgico e o processo infeccioso se resolverão, assim como os níveis de cortisol nesta situação voltarão ao normal. Porém quanto ao estresse emocional vamos depender de algumas variáveis.

Falemos do estresse. Se estivermos no trânsito, no destino de uma reunião importante, e tudo o que circunda seu veículo apresenta-se completamente parado, sem nos permitir a menor possibilidade de chegarmos a tempo, com certeza estaremos em profundo estresse. Porém, neste caso, antes que o nosso cortisol assuma grandes concentrações sanguíneas, teremos as suprarrenais liberando rios de adrenalina, o que causa palpitações e suor frio, os chamados efeitos do estresse agudo. Por outro lado, se estamos em uma situação de estresse crônico causado por problemas financeiros, de saúde, filhos, entre outros, tal estresse mantido provoca liberação crônica e sustentada de cortisol, e este, ainda que bem intencionado trará transtornos, em várias questões orgânicas e também no ganho e manutenção de peso elevado.

O cortisol em altos níveis aumenta o depósito de gordura, especialmente no abdome, diminuindo ainda a utilização da gordura já existente. Exibe, ainda, potencial de retenção hídrica no organismo por meio de ação nos rins. A compulsividade dos indivíduos com estresse crônico também se relaciona em boa parte aos altos níveis deste hormônio. Ou seja, os motivos que fazem engordar indivíduos que utilizam altas doses de cortisona são os mesmos que fazem com que o estresse crônico, por causa do cortisol, nos patrocine a obesidade.

Impossível o sucesso no tratamento da obesidade sem respeitarmos o cortisol e a quem diz: eu não como tanto para estar tão gordo.

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Envelhecer bem

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Envelhecer bem e devagar, fazer com que os anos consumam menos de nossas células, de nossa vivacidade, manter interesse e prazeres ativos, indeléveis até o suspiro final.

Em uma primeira observação, a questão é puramente matemática. No entanto, se observamos os asilos e casas de repouso, encontraremos seres humanos com idade elevada e, na maioria das vezes, com relacionamentos e interação com meio que os cercam bastante prejudicados, quer por demência, quer por sequelas de derrames. Envelhece-se assim também.

Está claro que o envelhecimento celular é multifatorial. Trazemos em nosso código genético um programa molecular de senescência celular. Fatores ambientais adversos, porém, levam uma continua intromissão na sobrevivência da célula. É provável que tais fatores passem a resultar em lesões subletais nas células, que com o passar dos anos podem morrer ou ter sua capacidade funcional diminuída.

São muitos os conhecidos hábitos que levam ao envelhecimento precoce. O fumo, a falta de atividade física, a atividade física estressante, os padrões do sono comprometidos, e muitos são os alimentos questionados do dia a dia quanto à capacidade de favorecer o retardamento ou aceleração do envelhecimento.

 

Radicais livres – oxidação celular

 

Substâncias ingeridas, inaladas ou resultantes do metabolismo e da exaustão orgânica podem resultar numa maior produção de radicais livres que aceleram o envelhecimento celular.

Os radicais livres são espécies químicas que têm um único elétron não pareado num orbital externo. Nesta situação essas estruturas são extremamente reativas e instáveis, pois participam de reações químicas com várias moléculas importantes para a vida da célula, e especialmente reagem contra as estruturas da membrana celular e dos ácidos nucléicos (DNA e RNA). É assim que esses radicais livres reduzem a função e o tempo de vida das células. É mais ou menos como ir enferrujando a célula. O superóxido, o peróxido de hidrogênio e os íons hidroxila são os três principais radicais livres, resultado da produção inadvertida de oxigênios intermediários na célula. De maneira mais didática, o oxigênio tão vital para a vida, quando em formas intermediarias (radicais livres), leva à aceleração do envelhecimento. E as situações que podem favorecer a formação destes radicais são várias. Em última análise, substâncias que aumentam a população de radicais livres na célula levam a uma oxidação celular, tal qual acontece em compostos metálicos. Daí a importância e a fama dos compostos antioxidantes adquirida nos últimos tempos.

Sobre esse tema, cabe citar a dieta do Mediterrâneo. Pesquisa publicada no “The New England Journal of Medicine”, em 2003, demonstrou que indivíduos seguidores da dieta do Mediterrâneo tinham 25% menos chance de obter câncer ou doenças cardíacas do que aqueles que obtinham uma dieta típica ocidental. A descoberta realizada com a avaliação de padrão alimentar de 22.000 gregos adultos sustenta pesquisas anteriores sobre os benefícios da dieta mediterrânea à saúde. Esta dieta é definida por um alto consumo de peixes, pães, massas, sendo o azeite de oliva a gordura principal, além da ingestão do vinho.

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Causas da obesidade

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Há milhares de anos, a sobrevivência requeria muito mais que organização pessoal quanto à perda e ganho de peso, porque dependia da sazonalidade de produtos, fossem eles animais ou vegetais.  Determinada fruta estava presente em certos locais e por um determinado período de tempo. Animais utilizados no consumo alimentar às vezes escasseavam ou desapareciam de determinado local. Tudo isso levava à necessidade da vida nômade pelos povos deste passado distante, até que estes se estabelecessem em organizações fixas, hierarquizadas, produzindo seus próprios alimentos. As primeiras organizações deste tipo que temos conhecimento são aquelas que ocorreram entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia, e às margens do rio Nilo, no Egito. Ainda assim, os grandes períodos de escassez alimentar não deixaram de existir.

A capacidade de ficar gordo em tempos de fartura para resistir aos tempos de escassez era uma grande virtude. Daí vem o entendimento de que a capacidade de engordar da sociedade moderna pode mesmo ter sido um ganho adaptativo fornecido pela seleção natural. Magros tinham menor resistência a grandes períodos de escassez, sendo que gordos suportavam tais períodos às custas de grandes bolsões de gorduras contidos em seus corpos. A tal vantagem não existe mais na maior parte do planeta e, em países desenvolvidos ou emergentes, a obesidade é um grave problema de saúde pública.

Admitindo o já exposto, vivemos o resultado da transmissão genética dos potencialmente gordos ao longo dos tempos e continuamos a transmitir a tal vantagem a nossos filhos. Bem verdade que o chamado “gordo genético” representa cerca de 25% da população obesa mundial. Para se manterem dentro de um peso aceitável, eles realmente sofrem, ou têm que admitir o problema. Porém, os outros 75% que possuem o potencial genético da engorda, é permitido ganhos de peso variáveis, de acordo com a insistência pela ingestão. Para estes indivíduos potencialmente gordos, é provável que existam gatilhos ditados pela genética, que podem ser apertados por vários caminhos, como o estresse, os distúrbios comportamentais, a ingestão contínua de gorduras hidrogenadas e carboidratos dos fast-foods e certos estados orgânicos como a gravidez. Claro que tudo isso é bastante piorado pela falta de atividade física.

Uma conclusão lúcida que podemos notar é que a obesidade é mesmo uma doença plurifatorial, na qual de 20 a 30% dos obesos, mesmo em sociedades em que alimentos processados não estejam entre os preferidos, terão lutas travadas com suas intimidades genéticas para se estabelecerem em patamares aceitáveis de peso quanto à estética e/ou à saúde.

Por outro lado, o restante dos obesos estabelece uma relação evitável de causa-efeito entre genética e meio ambiente, que nem sempre é reversível.

Existem ainda doenças que podem resultar em obesidade, tais como Hipotireoidismo (ver nesta seção) e Doença de Cushing, entre outras.

Esqueçamos, portanto, a ideia de que a obesidade é uma simples equação matemática entre o que se ingere e o que se gasta, ainda que isso seja verdade em uma avaliação simplista, todos os fatores que estão envolvidos entre estes dois extremos, incluindo o que não é absorvido e o que é armazenado, formam um emaranhado de possibilidades que na sua tradução geram um indivíduo gordo ou não.

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