Estresse e obesidade

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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“Eu não como tanto para estar tão gorda!” Até que ponto a afirmação é verdade?

Várias doenças podem contribuir para que ocorra obesidade. Entre elas estão as disfunção de tireóide, hipófise, ovários, testículos, suprarrenal e pâncreas. Todas elas levam a transtornos hormonais que podem em última instância culminar com obesidade, assumindo características de gravidades variáveis, cada qual por seu caminho.

Porém, assumindo a possibilidade de que nenhuma das desordens referidas anteriormente esteja presente, o que faz um indivíduo, mesmo não exagerando na ingestão alimentar, manter um peso excessivo?

Cortisol, esta é a palavra chave.

Formado por duas glândulas localizadas nos polos superiores dos rins, chamadas de suprarrenais, o cortisol é produzido diariamente e fisiologicamente, tendo enorme importância no equilíbrio de várias funções orgânicas no dia a dia. Ele incentiva a produção de glicose no fígado a partir do metabolismo das proteínas, estimulando ainda o armazenamento de glicose na forma de glicogênio. Possui também grande potencial antiinflamatório e imunossupressor. A cortisona que utilizamos contra asma, sinusite, doenças reumáticas e tantos outros males, nada mais é que o famoso cortisol em sua versão farmacológica.

Ele também é produzido em qualquer situação de estresse ao qual determinado organismo é submetido: mecânico, infeccioso ou emocional. Ou seja, se somos submetidos a uma cirurgia, contraímos um processo infeccioso, ou estamos diante de um grande trauma emocional, rios de cortisol são liberados pelas suprarrenais para a corrente sanguínea, visando conter o processo inflamatório e modular a resposta imunológica, entre outras ações. O procedimento cirúrgico e o processo infeccioso se resolverão, assim como os níveis de cortisol nesta situação voltarão ao normal. Porém quanto ao estresse emocional vamos depender de algumas variáveis.

Falemos do estresse. Se estivermos no trânsito, no destino de uma reunião importante, e tudo o que circunda seu veículo apresenta-se completamente parado, sem nos permitir a menor possibilidade de chegarmos a tempo, com certeza estaremos em profundo estresse. Porém, neste caso, antes que o nosso cortisol assuma grandes concentrações sanguíneas, teremos as suprarrenais liberando rios de adrenalina, o que causa palpitações e suor frio, os chamados efeitos do estresse agudo. Por outro lado, se estamos em uma situação de estresse crônico causado por problemas financeiros, de saúde, filhos, entre outros, tal estresse mantido provoca liberação crônica e sustentada de cortisol, e este, ainda que bem intencionado trará transtornos, em várias questões orgânicas e também no ganho e manutenção de peso elevado.

O cortisol em altos níveis aumenta o depósito de gordura, especialmente no abdome, diminuindo ainda a utilização da gordura já existente. Exibe, ainda, potencial de retenção hídrica no organismo por meio de ação nos rins. A compulsividade dos indivíduos com estresse crônico também se relaciona em boa parte aos altos níveis deste hormônio. Ou seja, os motivos que fazem engordar indivíduos que utilizam altas doses de cortisona são os mesmos que fazem com que o estresse crônico, por causa do cortisol, nos patrocine a obesidade.

Impossível o sucesso no tratamento da obesidade sem respeitarmos o cortisol e a quem diz: eu não como tanto para estar tão gordo.

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Envelhecer bem

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Envelhecer bem e devagar, fazer com que os anos consumam menos de nossas células, de nossa vivacidade, manter interesse e prazeres ativos, indeléveis até o suspiro final.

Em uma primeira observação, a questão é puramente matemática. No entanto, se observamos os asilos e casas de repouso, encontraremos seres humanos com idade elevada e, na maioria das vezes, com relacionamentos e interação com meio que os cercam bastante prejudicados, quer por demência, quer por sequelas de derrames. Envelhece-se assim também.

Está claro que o envelhecimento celular é multifatorial. Trazemos em nosso código genético um programa molecular de senescência celular. Fatores ambientais adversos, porém, levam uma continua intromissão na sobrevivência da célula. É provável que tais fatores passem a resultar em lesões subletais nas células, que com o passar dos anos podem morrer ou ter sua capacidade funcional diminuída.

São muitos os conhecidos hábitos que levam ao envelhecimento precoce. O fumo, a falta de atividade física, a atividade física estressante, os padrões do sono comprometidos, e muitos são os alimentos questionados do dia a dia quanto à capacidade de favorecer o retardamento ou aceleração do envelhecimento.

 

Radicais livres – oxidação celular

 

Substâncias ingeridas, inaladas ou resultantes do metabolismo e da exaustão orgânica podem resultar numa maior produção de radicais livres que aceleram o envelhecimento celular.

Os radicais livres são espécies químicas que têm um único elétron não pareado num orbital externo. Nesta situação essas estruturas são extremamente reativas e instáveis, pois participam de reações químicas com várias moléculas importantes para a vida da célula, e especialmente reagem contra as estruturas da membrana celular e dos ácidos nucléicos (DNA e RNA). É assim que esses radicais livres reduzem a função e o tempo de vida das células. É mais ou menos como ir enferrujando a célula. O superóxido, o peróxido de hidrogênio e os íons hidroxila são os três principais radicais livres, resultado da produção inadvertida de oxigênios intermediários na célula. De maneira mais didática, o oxigênio tão vital para a vida, quando em formas intermediarias (radicais livres), leva à aceleração do envelhecimento. E as situações que podem favorecer a formação destes radicais são várias. Em última análise, substâncias que aumentam a população de radicais livres na célula levam a uma oxidação celular, tal qual acontece em compostos metálicos. Daí a importância e a fama dos compostos antioxidantes adquirida nos últimos tempos.

Sobre esse tema, cabe citar a dieta do Mediterrâneo. Pesquisa publicada no “The New England Journal of Medicine”, em 2003, demonstrou que indivíduos seguidores da dieta do Mediterrâneo tinham 25% menos chance de obter câncer ou doenças cardíacas do que aqueles que obtinham uma dieta típica ocidental. A descoberta realizada com a avaliação de padrão alimentar de 22.000 gregos adultos sustenta pesquisas anteriores sobre os benefícios da dieta mediterrânea à saúde. Esta dieta é definida por um alto consumo de peixes, pães, massas, sendo o azeite de oliva a gordura principal, além da ingestão do vinho.

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Causas da obesidade

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Há milhares de anos, a sobrevivência requeria muito mais que organização pessoal quanto à perda e ganho de peso, porque dependia da sazonalidade de produtos, fossem eles animais ou vegetais.  Determinada fruta estava presente em certos locais e por um determinado período de tempo. Animais utilizados no consumo alimentar às vezes escasseavam ou desapareciam de determinado local. Tudo isso levava à necessidade da vida nômade pelos povos deste passado distante, até que estes se estabelecessem em organizações fixas, hierarquizadas, produzindo seus próprios alimentos. As primeiras organizações deste tipo que temos conhecimento são aquelas que ocorreram entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia, e às margens do rio Nilo, no Egito. Ainda assim, os grandes períodos de escassez alimentar não deixaram de existir.

A capacidade de ficar gordo em tempos de fartura para resistir aos tempos de escassez era uma grande virtude. Daí vem o entendimento de que a capacidade de engordar da sociedade moderna pode mesmo ter sido um ganho adaptativo fornecido pela seleção natural. Magros tinham menor resistência a grandes períodos de escassez, sendo que gordos suportavam tais períodos às custas de grandes bolsões de gorduras contidos em seus corpos. A tal vantagem não existe mais na maior parte do planeta e, em países desenvolvidos ou emergentes, a obesidade é um grave problema de saúde pública.

Admitindo o já exposto, vivemos o resultado da transmissão genética dos potencialmente gordos ao longo dos tempos e continuamos a transmitir a tal vantagem a nossos filhos. Bem verdade que o chamado “gordo genético” representa cerca de 25% da população obesa mundial. Para se manterem dentro de um peso aceitável, eles realmente sofrem, ou têm que admitir o problema. Porém, os outros 75% que possuem o potencial genético da engorda, é permitido ganhos de peso variáveis, de acordo com a insistência pela ingestão. Para estes indivíduos potencialmente gordos, é provável que existam gatilhos ditados pela genética, que podem ser apertados por vários caminhos, como o estresse, os distúrbios comportamentais, a ingestão contínua de gorduras hidrogenadas e carboidratos dos fast-foods e certos estados orgânicos como a gravidez. Claro que tudo isso é bastante piorado pela falta de atividade física.

Uma conclusão lúcida que podemos notar é que a obesidade é mesmo uma doença plurifatorial, na qual de 20 a 30% dos obesos, mesmo em sociedades em que alimentos processados não estejam entre os preferidos, terão lutas travadas com suas intimidades genéticas para se estabelecerem em patamares aceitáveis de peso quanto à estética e/ou à saúde.

Por outro lado, o restante dos obesos estabelece uma relação evitável de causa-efeito entre genética e meio ambiente, que nem sempre é reversível.

Existem ainda doenças que podem resultar em obesidade, tais como Hipotireoidismo (ver nesta seção) e Doença de Cushing, entre outras.

Esqueçamos, portanto, a ideia de que a obesidade é uma simples equação matemática entre o que se ingere e o que se gasta, ainda que isso seja verdade em uma avaliação simplista, todos os fatores que estão envolvidos entre estes dois extremos, incluindo o que não é absorvido e o que é armazenado, formam um emaranhado de possibilidades que na sua tradução geram um indivíduo gordo ou não.

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Anorexia e Bulimia

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Dois distúrbios alimentares ganharam notoriedade no ano de 2006 devido a dois fatos: presença de um personagem com Bulimia no programa de maior índice de audiência da televisão brasileira, a novela das 20h da Rede Globo de televisão, e a ocorrência de dois óbitos de modelos fotográficas por conta de Anorexia Nervosa.

A Anorexia e a Bulimia, entretanto, não são doenças novas. Porém, provavelmente se esses casos não tivessem sido divulgados, essas patologias estariam do mesmo modo que outras gravíssimas: sem observação popular.

Bom e ruim. Bom porque, assim como outros transtornos de comportamento aparentemente incomuns em nosso meio e bastante insidiosos em sua apresentação, estas doenças necessitam que pensemos em suas possibilidades para chegarmos ao diagnóstico. Ruim porque, em alguns aspectos, formalizamos ainda mais a frente de batalha contra os preocupados em não serem gordos. Não nos esqueçamos que a obesidade é a condição que mais se relaciona com doenças cardiovasculares, metabólicas e resultantes de comprometimento osteoarticular, sem citar o favorecimento a alguns tipos de cânceres.

 

Anorexia Nervosa

 

Em sua essência, a Anorexia Nervosa é um distúrbio comportamental. Na prática, os pacientes apresentam Índice de Massa Corpórea (IMC) abaixo de 17,5. O paciente demonstra em sua auto-avaliação que nunca está magro o suficiente.

Ainda que acometa mais mulheres que homens, a condição é encontrada também no sexo masculino, porém existe predisposição genética na maior parte dos casos. É algo como dizer, não basta querer ter Anorexia Nervosa, é necessário poder. É muito provável que o absurdo padrão estético criado e adotado mundo afora seja agente indutor deste processo naqueles predispostos à doença. O grande “Boom” do surgimento da doença ocorre com o adolescente e o jovem que persegue carreira nas quais padrões de beleza estão já estipulados.

Não existe de fato a perda de apetite, e sim a negação à ingestão alimentar. Por vezes, estes pacientes consomem inúmeras literaturas gastronômicas, com receitas extremamente elaboradas ou até procuram empregos em restaurantes, como uma luta insana pra se garantir resistente a qualquer tentação. Surpreendentemente, à medida que emagrecem, os pacientes se tornam mais radicais.

É comum que o paciente negue a intenção de emagrecimento, mesmo quando ele ocorre rapidamente. Para enganar os familiares, ele preenche o prato com uma grande quantidade de alimentos e, com a desculpa da televisão, do sossego ou de afazeres, se dirige a outro local para que ninguém o veja jogando os alimentos fora. De qualquer maneira, o paciente emagrece vertiginosamente, podendo tornar-se esquelético. No caso das mulheres, 90% se tornam amenorréicas (sem menstruação). A procura por um médico, quando se notam os sintomas, é indispensável. O próprio paciente acaba pedindo assistência médica, mas o motivo básico não é o emagrecimento e sim alguma condição associada. O tratamento sempre inclui terapia farmacológica, a qual o médico assistente pontuará o mais adequado.

 

Bulimia Nervosa

 

Rotineiramente a Bulimia é associada à Anorexia, por causa do desejo e/ou necessidade de se obter um corpo esbelto. Mas, a predisposição genética à Bulimia também existe. Geralmente mais relacionada a ascendentes para a depressão do que a outros distúrbios comportamentais.

O paciente bulímico tipicamente ingere grandes quantidades de alimentos normalmente muito calóricos e mergulha em um sentimento de culpa. A compensação para esse sentimento é realizada provocando vômitos e/ou diarreias, podendo ainda exagerar em exercícios ou se punir com longos períodos de jejum. Na maior parte das vezes não apresenta perda ponderal importante, o que dificulta o diagnóstico.

Quando a doença se torna crônica, é comum a esofagite, perda do esmalte dos dentes e inflamações frequentes na garganta. Itens resultantes de vômitos provocados, que podem gerar também dores e fraquezas musculares. As diarreias induzidas por diuréticos, ou até mesmo exercícios exagerados, também podem causar fissuras anais e hemorróidas.

O tratamento pode incluir o uso de fármacos, porém verificam-se ótimos resultados apenas com o tratamento psicológico.

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Andropausa: o envelhecimento do homem

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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O termo Andropausa sugere a perda completa da produção de hormônios masculinos. Situação que fisiologicamente não ocorre. A andropausa, ao pé da letra, só se estabeleceria se houvesse a eliminação dos testículos. Seja por cirurgia, lesão por radiação ou destruição da função testicular por agressão autoimune (doença que o sistema imunológico do indivíduo agride um órgão do próprio corpo). Ou ainda por lesões de mesmo porte na hipófise ou hipotálamo, que são regiões do cérebro que controlam os níveis de produção dos hormônios sexuais.

Talvez a forma mais correta de nomear o decréscimo fisiológico da produção de hormônios sexuais do homem seja: “o envelhecimento sexual do homem”, pois diferentemente da menopausa, o processo de paralisação total da produção de hormônios sexuais masculinas não ocorre.

A partir dos 30 anos, a produção de testosterona sofre uma queda de 1%, em média. Ainda que, ao passo que envelhecemos, haja uma diminuição natural em vários perfis de virilidade do homem, a relação com a queda fisiológica da testosterona é sempre discutível. Porém em aproximadamente 20% dos homens com mais de 50 anos, queixas clínicas são relacionadas à falta deste hormônio, o que justificaria a reposição androgênica nestes homens. Os sintomas resultantes são característicos e incluem diminuição da libido, dificuldade de ereção ou de sua sustentação, cansaço extremo, desânimo e/ou depressão, sonolência ou insônia, incluindo ainda aumento da gordura corporal e diminuição da massa muscular. O homem adulto produz aproximadamente 7mg de testosterona ao dia, o que deixa os níveis sanguíneos entre 300 e 1000ng/dl (nanograma por decilitro), apresentando ainda variações durante as 24 horas, sendo que a produção de testosterona é menor no período da noite.

De acordo com alguns autores, o nível de testosterona sérica não deve ser o único indicativo à necessidade de reposição de hormônios masculinos. Mesmo em situações de normalidade, se a expressão clínica de hipoandrogenismo for mesmo importante, deve-se fazer o teste terapêutico com reposição hormonal.

Muitos homens se beneficiam com a reposição de hormônios sexuais, mas toda a queixa quanto à queda da virilidade deve ter investigação médica, para a indicação ou não do tratamento. “O envelhecimento sexual do homem” deve ser avaliado sempre.

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Alimentação balanceada

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Não existe dieta milagrosa

 

Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

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Assim como a moda que transforma tendências entre uma e outra estação, as dietas estão indo para o mesmo rumo. As “dietas fashion” nada mais são que criações de agrupamentos inusitados de alimentos que ganham fama principalmente quando uma pessoa pública declara sucesso no emagrecimento com sua utilização.

A verdade é, e sempre será, o que cada um acredita. Não serei eu a martelar impiedosamente alguns modelos alimentares. Justamente eu que entendo que ninguém é rei por obra do acaso. Para não estender e correr o risco de ferir a assertiva anterior, comentarei uma dieta não balanceada que sem dúvida é a mais conhecida e consagrada pelo mundo afora. A chamada ‘Dieta sem Carboidratos’, conhecida também por ‘Dieta do Doutor Atkins’. Este tipo de alimentação propõe o consumo exclusivo de proteínas e gorduras, excluindo os carboidratos em qualquer uma de suas versões.

O velho Atkins não era desprovido de argumentos como alguns escancaram, mas não tomava o cuidado de criar protocolos para o uso comedido, do que talvez até seja um recurso temporário no emagrecimento, em pacientes selecionados. Ainda que eu entenda que a sustentabilidade de uma dieta desse perfil não seja tarefa fácil, o emagrecimento é obtido a partir da dificuldade criada pelas proteínas e gorduras na sua utilização pelo corpo humano.

Os carboidratos são rapidamente absorvidos após a ingestão alimentar; o açúcar livre, por exemplo, é absorvido de imediato. O amido encontrado nos pães e macarrão é absorvido quase na mesma velocidade, enquanto que carboidratos de absorção mais complexa como os das verduras e legumes cozidos podem levar algumas dezenas de minutos até a sua total absorção. Ou seja, uma dieta rica em açúcares é rapidamente absorvida e este açúcar instantaneamente é utilizado ou armazenado na forma de gordura em nossos depósitos, o que faz com que rapidamente surja o sinal da fome. Porém, se os carboidratos são compostos somente por carbonos e hidrogênio, as proteínas e gorduras também possuem estes dois elementos químicos, só que associados a outros elementos.

Portanto, se o organismo for capaz de fabricar carboidrato e souber retirar a matéria prima de proteínas e gorduras, não faltará carboidrato. Todos nós somos capazes disto, porém, isto demanda tempo e gasto calórico. E é justamente este conjunto de situações que é buscado na utilização de tal dieta. Pois, enquanto o organismo se esforça em fabricar carboidrato, ele se apropria primeiramente de suas reservas para obter a energia, sendo aí consumidos os depósitos de gordura. A questão é: se agradar a alguns a visão de bacon, ovos, carnes e linguiças, a estes mesmos surge a ideia de farofa, pães e arroz. E, neste caso, “é largar ou largar”. Aliado aos riscos de desequilíbrios agudos de colesterol, triglicerídeos e acido úrico, o próprio indivíduo passa a dar mostras de insustentabilidade com relação ao modelo alimentar.

Variações menos dramáticas desta dieta foram feitas e expressas sob vários nomes, como a dieta de South Beach. Outras dietas com menor suporte explicativo às vezes beiram ao mítico. Uma delas é a do tipo sanguíneo, que até o presente momento não apresenta sequer um ensaio clínico retirando-a do campo do imaginário. Algumas relacionam dietas a horóscopos e afins.

Concluindo, nenhuma dieta deve suprimir grupos alimentares, sob pena de danos orgânicos e psicológicos. Comamos de tudo, com moderação.

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Funções da tireóide

Postado em Endocrinologia por Plástica Montenegro

Por Marina Sartori Jornalista

Cerca de 15% das mulheres sofrem com problemas na glândula que parece uma gravata-borboleta, a tireóide. Ela fica no pescoço e produz os hormônios triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), fundamentais para o equilíbrio do funcionamento do metabolismo.

Nas últimas décadas, a evolução da medicina possibilitou o diagnóstico de doenças da tireóide com um simples teste de sangue, que mede a quantidade de hormônio TSH no organismo. Ele é responsável por estimular a tireóide. Por isso, a paciente que emagrece rápido demais ou engorda também rapidamente, é muito comum receber instruções do médico para realizar o teste, tornando muito mais fácil o tratamento, quando o problema é diagnosticado precocemente.

Os famosos Hipotiroidismo e Hipertiroidismo provocam sintomas opostos, mas nenhum é menos perigoso que o outro. No primeiro, a tireóide produz menos hormônio do que deveria e por esse motivo o metabolismo fica desacelerado. Os primeiros sintomas são sonolência, dificuldade de concentração, intestino preso, aumento da menstruação, intolerância ao frio, pele seca e fria, ganho de peso e queda de cabelo. Na segunda doença, a tireóide se comporta de maneira oposta. Ela produz mais hormônio do que o necessário e, com isso, acelera o metabolismo. As consequências também são inversas. A pessoa sente calor, ansiedade, dificuldade de dormir, ausência ou atraso da menstruação, pele úmida e quente, intestino solto, agitação e emagrecimento.

O tratamento para as duas doenças é realizado com reposição hormonal e deve ser realizado pelo resto da vida, mas funciona muito bem e é a única maneira de deixar a tireóide equilibrada e funcionando direitinho.

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