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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento
CRM 75.426
“Eu não como tanto para estar tão gorda!” Até que ponto a afirmação é verdade?
Várias doenças podem contribuir para que ocorra obesidade. Entre elas estão as disfunção de tireóide, hipófise, ovários, testículos, suprarrenal e pâncreas. Todas elas levam a transtornos hormonais que podem em última instância culminar com obesidade, assumindo características de gravidades variáveis, cada qual por seu caminho.
Porém, assumindo a possibilidade de que nenhuma das desordens referidas anteriormente esteja presente, o que faz um indivíduo, mesmo não exagerando na ingestão alimentar, manter um peso excessivo?
Cortisol, esta é a palavra chave.
Formado por duas glândulas localizadas nos polos superiores dos rins, chamadas de suprarrenais, o cortisol é produzido diariamente e fisiologicamente, tendo enorme importância no equilíbrio de várias funções orgânicas no dia a dia. Ele incentiva a produção de glicose no fígado a partir do metabolismo das proteínas, estimulando ainda o armazenamento de glicose na forma de glicogênio. Possui também grande potencial antiinflamatório e imunossupressor. A cortisona que utilizamos contra asma, sinusite, doenças reumáticas e tantos outros males, nada mais é que o famoso cortisol em sua versão farmacológica.
Ele também é produzido em qualquer situação de estresse ao qual determinado organismo é submetido: mecânico, infeccioso ou emocional. Ou seja, se somos submetidos a uma cirurgia, contraímos um processo infeccioso, ou estamos diante de um grande trauma emocional, rios de cortisol são liberados pelas suprarrenais para a corrente sanguínea, visando conter o processo inflamatório e modular a resposta imunológica, entre outras ações. O procedimento cirúrgico e o processo infeccioso se resolverão, assim como os níveis de cortisol nesta situação voltarão ao normal. Porém quanto ao estresse emocional vamos depender de algumas variáveis.
Falemos do estresse. Se estivermos no trânsito, no destino de uma reunião importante, e tudo o que circunda seu veículo apresenta-se completamente parado, sem nos permitir a menor possibilidade de chegarmos a tempo, com certeza estaremos em profundo estresse. Porém, neste caso, antes que o nosso cortisol assuma grandes concentrações sanguíneas, teremos as suprarrenais liberando rios de adrenalina, o que causa palpitações e suor frio, os chamados efeitos do estresse agudo. Por outro lado, se estamos em uma situação de estresse crônico causado por problemas financeiros, de saúde, filhos, entre outros, tal estresse mantido provoca liberação crônica e sustentada de cortisol, e este, ainda que bem intencionado trará transtornos, em várias questões orgânicas e também no ganho e manutenção de peso elevado.
O cortisol em altos níveis aumenta o depósito de gordura, especialmente no abdome, diminuindo ainda a utilização da gordura já existente. Exibe, ainda, potencial de retenção hídrica no organismo por meio de ação nos rins. A compulsividade dos indivíduos com estresse crônico também se relaciona em boa parte aos altos níveis deste hormônio. Ou seja, os motivos que fazem engordar indivíduos que utilizam altas doses de cortisona são os mesmos que fazem com que o estresse crônico, por causa do cortisol, nos patrocine a obesidade.
Impossível o sucesso no tratamento da obesidade sem respeitarmos o cortisol e a quem diz: eu não como tanto para estar tão gordo.
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