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Por Eliana Antiqueira
Jornalista
Aceitar as mudanças que a natureza provoca no corpo nem sempre é tarefa fácil. Nem todo mundo consegue encarar as transformações de forma pacífica e o problema toma proporções alarmantes.
Ser vaidoso é inerente ao ser humano. Embora a cultura ocidental condene o culto da própria imagem e classifique a vaidade como um dos sete pecados capitais, estar - mais do que ser - atraente é uma condição da qual as pessoas não abrem mão. Perder a beleza, ou o que a sociedade julga belo, provoca uma revolução na cabeça das pessoas. ‘’Quando alguém perde a autoestima fica difícil mostrar que a beleza pode estar em outros detalhes que não os físicos’’, explica o doutor em cirurgia plástica, Wagner Montenegro , que em mais de vinte anos de profissão já usou o bisturi para resgatar o amor próprio de muita gente.
As mulheres, talvez por obedecerem a padrões estéticos mais rígidos , são as mais cobradas em sua vaidade. Estar acima do peso, ter celulites, estrias, flacidez, é visto, muitas vezes, como um sinal de desleixo e não como sinais de mudanças do organismo, os quais todos estão sujeitos.
O Dr. Wagner afirma que as mulheres que passaram por uma ou mais gestações são as que mais se queixam das alterações sofridas pelo físico e, neste processo de autorrejeição, acabam por destruir o casamento. ‘’Uma mulher jovem que tem o corpo alterado pela gravidez dificilmente vai conviver pacificamente com as mudanças. Embora o sentimento maternal seja grande e importante, ela também se vê como mulher e é aí que começa a crise’’, esclarece o cirurgião.
Os problemas mais comuns pós-gestação são a flacidez da mama, as estrias e a chamada barriga de avental - quando a pele do abdômen se esparrama sobre o púbis. Segundo o Dr. Wagner, muitas mulheres chegam ao consultório dele queixando-se que com o corpo naquele estado não conseguem manter relações sexuais com o marido, fogem ao toque e, principalmente, evitam se despir. ‘’Uma de minhas pacientes chegou a confessar que ficou mais de dez anos sem ver o seu corpo nu num espelho’’, narra.
Desde que o mundo é mundo as mulheres ficam grávidas e o corpo muda, certo? Então porque só agora elas resolveram reclamar? ‘’Porque antigamente não havia a possibilidade de mudança’’, diz o Dr. Wagner, que complementa: ‘’A popularização da cirurgia plástica trouxe esta possibilidade e, com ela, também a frustração”.
Não poder fazer uma cirurgia plástica acarreta na mulher a sensação de impotência por não poder voltar ao que era antes. Sou da opinião de que toda mulher deveria ter o direito de fazer uma cirurgia plástica depois da gravidez’’.
Um fato curioso levantado pelo Dr. Wagner é que, na maior parte das vezes, o problema está na cabeça da mulher e que o marido não consegue enxergar o que tanto aflige e afasta a esposa. ‘’Os homens conseguem aceitar melhor as mudanças que a maternidade traz do que as próprias mulheres. Eles entendem que após a gravidez o corpo não vai ser mais como antes’’. Embora adepto da ideia de que a autoestima é o melhor caminho para se livrar dos complexos, o Dr. Wagner Montenegro reconhece que a cirurgia plástica opera maravilhas no ego. ‘’Independente do resultado, só o fato de a mulher ter dado um passo em prol de uma melhoria de seu aspecto físico já é muito significativos e recupera muito do amor próprio dela que, sem medo de enxergar nas palavras, renasce para a vida’’.
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