Uso de anfetaminas na obesidade

Postado em Endocrinologia por Plástica Montenegro

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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento

CRM 75.426

 

Quando sou solicitado a expressar minha opinião quanto ao tratamento de obesidade, abordo inicialmente a necessidade da mudança de perfil sedentário, acoplada a uma reorganização dietética. Porém, quando a questão básica é o tratamento farmacológico, nunca me esquivo.

Trato a obesidade assim como uma hipertensão arterial sistêmica, ainda que inicialmente oriente a diminuição do sal na dieta e à prática de atividade física moderada. Nunca deixaria de tratar farmacologicamente a insônia, quando todas as outras alternativas se apresentam esgotadas e não deixo de tratar o paciente diabético se a mudança de hábitos alimentares e de vida não forem suficientes para o controle glicêmico.

Parece-me óbvio, portanto, que tratar o obeso com medicações não seja obra do demônio. Porém, não é incomum, receber pacientes que se submetem ao tratamento às escondidas do marido, que é “completamente contra a medicação”, como me dizem algumas. Pior momento é quando o paciente nos procura a fim de perder peso e melhorar a pressão arterial, mas já é avisada pelo cardiologista: “nada de ‘bolas’, hein”. Traduzindo, “bolas” são o que alguns colegas médicos entendem por medicações antiobesidade. Em outras oportunidades, o paciente já ouviu que, quando parar de tomar as medicações, voltará a engordar tudo de novo.

Bem, vamos por partes. Se engordarmos tudo de novo, é sinal de que a medicação é necessária e, assim, como o hipertenso quando é retirada a medicação, os níveis pressóricos se elevam novamente. Fica sugerido que, para alguns pacientes obesos, seja necessário o uso contínuo de medicações.

Por outro lado, a “bola”, criada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, ou anfetamina, já saiu do mercado há vários anos. O que se utiliza atualmente é o anel fenetilamina, que não apresenta a maioria dos efeitos indesejáveis da anfetamina, o que torna ainda mais incorreta a utilização do termo de anfetamina para estes fármacos.

A abstinência apresentada para alguns pacientes, quando ocorre a suspensão de tratamento farmacológico para obesidade, frequentemente é vista quando existe associação de benzodiazepínicos, podendo causar mal-estar, sudorese, insônia e outros sintomas.

A depressão pode ocorrer em pacientes propensos a ela, que habitualmente apresentam história anterior ou familiar. Porém, até mesmo um evento emocional importante, poderia fazer expressar a doença.

Não podemos nos esquecer de que qualquer versão de tratamento farmacológico pode ter efeitos. É responsabilidade do médico assistente monitorar, ajustar e, se necessário, retirar a medicação.

Para saber mais ou marcar uma consulta, acesse Montenegro Cirurgia Plástica.<–>

1 Comentário »

  1. Prezado Dr Antonio,
    Uso remédios para emagrecer há cerca de 17 anos (tenho 46 atualmente) com usos descontinuados com intervalos de 6 a 24 meses. Em todos os casos retornei ao peso anterior e cheguei a aumentar. Atualmente não sinto que estas drogas façam o mesmo efeito, mas sem elas o meu apetite aumenta e meu “vigor” diminui, visto que minhas atividades solicitam que eu tenha um “pique” bem intenso. E segue um círculo vicioso (nada virtuoso infelizmente). Já tive prescrição de fazer redução de estômago mas meu maior medo é o fato desta dependência. Intimamente nao sinto que, reduzindo o estomago, sentirei redução de apetite. Me sinto ma mulher esclarecida e inteligente (embora isto seja paradoxal em função de tomar estes “remédios”). Percebo nitidamente que minha memória está comprometida, embora não prejudique (ainda) minhas atividades. O Senhor poderia me dar alguma opinião, me sinto quase desesperada. sei que, como não sou sua paciente, fica dificil me apontar determinados caminhos, mas ficaria eternamente grata se tecesse comentários que me levem a repensar minhas atitudes e muda-las em meu benefício e também daqueles a quem amo.
    Talvez seja interessante eu dizer que tenho lupus discoide diagnosticado há 20 anos e, por 4 X usei corticóides. Embora não possa colocar a responsabilidade nos corticoides do meu aumento de peso, pois tenho enorme predisposição hereditária.
    Provavelmente o senhor nem lerá este email ou mesmo terá tempo de respondê-lo, mesmo assim anseio por uma resposta.
    Meu nome de fato é Evelise mas por razões óbvias modifiquei meu sobrenome.
    Agradeço antecipadamente por um retorno,
    Evelise.

    Comment por Evelise Mell — 8 de outubro de 2010 @ 11:34

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