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Por Dr. Antonio Carlos Nascimento
CRM 75.426
Nossos corpos juvenis distraidamente alvoroçavam-se em texturas novas de observações quanto ao mundo que nos rodeava. O cheiro do sexo oposto nos instigava, as possibilidades inebriadas pelo desejo do desconhecido nos induziam a buscas frenéticas por fotos e revistas. Impossível acordar ou dormir sem o príncipe ou princesa, que possuía toda a ebulição necessária àquele furor que questionava nossos antigos relacionamentos infantis. Que difícil processo. Para alguns mais, outros menos. É quase isso o resumo da explosão hormonal lá pelo início da adolescência.
O tempo passará e, de maneira sutil, a fome, ainda que mantida, nos permitirá mais critérios e agregaremos outros itens ao nosso desejo. Ou seja, seremos instintivos ainda, porém mais calculistas e admitiremos os limites da conquista. Vida nova. Questões relacionadas a cuidados com dieta, sono, cigarro, drogas, enfim, à saúde, são por vezes deixadas de lado. Mas, quando se entra no campo do desempenho sexual, aí sim, os pudores, recalques, insegurança, mentiras, preocupações, segredos, traições, entre outros, aparecem. Uma mistura que pode resultar qualquer coisa, inclusive o improvável, porém possível, casamento eterno, ou poligâmico, solteirões, homossexuais… Isso tudo é sexo, ou melhor, isso tudo é o poder do sexo.
Um dia nos damos conta que temos menos desejo ou capacidade para o sexo. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. Deduzimos, então, que a idade nos pegou. Já temos quase 50, com filhos, contas a pagar e provável horário para algum remédio. Os caminhos para alcançarmos a senilidade com dignidade e sem termos que entregar o que instintivamente nos movia com graça através de noites e viagens inesquecíveis, são organicamente possíveis. Não é fantasia. Sexo não é tudo, mas não à toa criou e destruiu impérios. A vida é pra valer, não deixemos nada sem cuidado.<–>